segunda-feira, 2 de maio de 2016

Vacina contra gripe falta em postos da capital de MS e acaba em Dourados


A procura da vacina contra gripe em alguns municípios de Mato Grosso do Sul foi maior do que o previsto. Em Campo Grande, a população não acha a vacina em alguns postos de Saúde. Na segunda maior cidade do estado, Dourados suspendeu a campanha com o fim das doses no primeiro dia da campanha que iniciou no sábado (30).
Segundo a assessoria da Secretaria do Estado de Saúde (SES), ainda falta ser enviada a metade das doses previstas. Enviar por lotes foi uma forma encontrada pelo governo para garantir que as doses cheguem a todos os destinos. A estimativa é receber 720 mil doses para imunizar 680 mil pessoas do grupo de risco no estado.
A capital sul-mato-grossense recebeu 80 mil doses para o dia D. Em muitos lugares, as doses acabaram no sábado e, nesta segunda-feira (2), amanheceram sem a vacina. A meta é imunizar 180 mil pessoas.
A dona de casa Célia Maria da Cruz fez uma peregrinação até encontrar uma unidade de Saúde com vacina. “Los Angeles, aí nós fomos para Moreninha e da Moreninha mandou vir para o Tiradentes”, disse a dona de casa.
O aposentado Noedi Leite Laranjeira só conseguiu se imunizar na segunda vez que foi ao posto do bairro Tiradentes. “De manhã não tinha. [À tarde] já encontrei a vacina, já fui vacinado”, contou aliviado.
Em outra região da capital, a reposição foi feita no período da tarde. A cozinheira Laurinda Barbosa foi ao posto de saúde do bairro Guaicurus e teve de esperar cerca de 40 minutos. “Eles estavam contando das doses da vacina, né? Para depois liberar”, pontuou.
A situação na segunda maior cidade do estado é pior. Dourados suspendeu a campanha de vacinação porque as doses enviadas pelo Ministério da Saúde acabaram no sábado. A meta do município é proteger 66 mil pessoas, mas foram enviadas 28 mil doses.
Segundo a chefe do setor de imunização, Carla Cristiana, o estoque está zerado no setor de imunização do município. Ela prevê que devem chegar 100 vacinas para cada unidade de Saúde na próxima quarta-feira (4).

Remédio estende vida de jovens com câncer mais comum entre os 15 e os 30 anos

Remédio estende vida de jovens com câncer mais comum entre os 15 e os 30 anos
Agência Nacional de Vigilância Sanitária liberou uso frequente do brentuximabe em janeiro

Um dos maiores problemas que os pacientes enfrentam quando se tratam contra um câncer é quando aquele remédio usado na primeira linha do tratamento não funciona ou funciona muito pouco, levando-os a buscar outras drogas para exterminar a doença.
No caso do Linfoma de Hodgkin – aumento dos gânglios linfáticos e tipo de câncer mais comum em pessoas com entre 15 e 30 anos –, o remédio que representava a última esperança e só podia ser usado uma vez agora passa a poder ser aplicado quantas vezes forem necessárias pelos pacientes.
A novidade vem graças a uma aprovação recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do brentuximabe, medicamento usado para estender a vida da pessoa que tem a doença nos gânglios linfáticos.
Virose ou câncer?
Fadiga, inflamações nos gânglios, febre esporádica, sudorese noturna, coceira no corpo, perda de peso... Apesar de serem confundidos com viroses, esses sintomas podem muito bem ser uma pista para um câncer linfático, que, se diagnosticado, leva à quimioterapia e, às vezes, radioterapia. De acordo com Otávio Baiocchi, hematologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 80% dos pacientes são curados com esses tratamentos.
No entanto, aqueles 20% que não respondem à quimioterapia precisam de outras opções, como o transplante de medula alogênico – quando a medula do próprio paciente é retirada, para ser inserida posteriormente, e são ministradas altas doses de quimioterapia para suprimir o câncer – e, no auge, a brentuximabe.
Desde 2015, o remédio em forma de anticorpo que consegue se ligar diretamente às células cancerosas para tentar diminuir proliferação do câncer tem encontrado barreiras, já que seu uso era aprovado somente para uma aplicação – ou seja, se o paciente melhorasse mas voltasse a ter uma recaída, ele não poderia usá-lo novamente.
Com aprovação da Anvisa para usos repetidos, tratar pacientes refratários aos outros tratamentos contra o linfoma de Hodgkin ficou menos complicado para os médicos. “Antes, de 10 a 15% dos jovens estariam vivos em cinco anos depois do tratamento. Hoje, o número saltou para ao menos 60%”, comemora Baiocchi. Além disso, os efeitos colaterais do remédio são mais amenos do que os da quimioterapia.
Oncologista clínico do Hospital A. C. Camargo Cancer Center, Vladmir Cordeiro de Lima explica que, com a aprovação da Anvisa, é mais fácil pedir a autorização para uso a operadoras de saúde. Não há previsão, no entanto, de a droga ser disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Um paciente idoso ou uma pessoa com muitos outros problemas de saúde não aguentaria passar por um transplante de medula, já que é um tratamento mais agressivo. Então, essas pessoas também são candidatas para o uso do brentuximabe”, explica Lima. “Não é um tratamento curativo, mas tem uma taxa de resposta muito alta e controla a doença por um bom tempo."
O tempo médio de um reaparecimento do linfoma de Hodgkin é de dez meses.